Mais mulheres nos espaços de liderança, certamente, será um deles!

 

A celebração do Dia Internacional da Mulher em 8 de março foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. A data simboliza uma tragédia: um incêndio que matou 146 trabalhadores, dos quais 125 eram mulheres, em uma fábrica de Nova York em 25 de março de 1911. Aquele acidente trouxe à tona a dura realidade vivida pelas mulheres operárias. No início do século XX, começaram a surgir na Europa e nos EUA movimentos protagonizados por mulheres que reivindicavam melhores condições de trabalho e direito ao voto.

 

A presença das mulheres no mercado de trabalho é uma das mudanças sociais que mais impactaram a concepção de carreira na contemporaneidade.
HAUW; GREENHAUS, 2015.

As mulheres sempre trabalharam. Em casa, nas fábricas ou no campo, elas sempre contribuíram ativamente para a realização das tarefas que envolvem a manutenção da vida em sociedade. Podemos afirmar que a notável inserção feminina no mercado de trabalho remunerado foi um dos principais acontecimentos do século XX. No Brasil, a taxa de mulheres economicamente ativas cresceu de 36,9% para 53,4% entre 1985 e 1995, impactando os estereótipos relacionados aos papéis tradicionalmente compreendidos como masculinos ou femininos. Se na época da Revolução Industrial os salários eram calculados considerando os homens como principais provedores da família, como ficaria essa conta hoje? As mulheres já são a principal fonte de renda de 40% dos lares brasileiros, mas o gap salarial entre os sexos ainda é realidade no Brasil e em todo o mundo.

A diferença entre a remuneração recebida por homens e por mulheres aumenta nos grupos com maior nível de escolaridade. Em 2016, as mulheres com, no mínimo, ensino superior completo receberam apenas 63,4% em comparação aos homens com o mesmo nível de escolaridade.

A diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu consideravelmente entre os anos 1980 e 2000, mas encontra-se praticamente estagnada desde então. Em 2016, o salário médio pago às mulheres correspondeu a 77,5% do rendimento pago aos homens no Brasil. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao redor do mundo, a diferença de ganhos entre trabalhadores dos sexos masculino e feminino era de, aproximadamente, 23% no ano de 2015.

O relatório Women at Work: trends 2016 da OIT aponta que o gap salarial entre homens e mulheres diminuiu apenas 0,6% em vinte anos:

1995: 26,1%
2015: 25,5%

As mulheres representam a maioria da população com curso superior completo. Essa tendência de escolarização que se consolidou no século XXI foi fundamental no processo de inserção feminina no mercado de trabalho, mas não foi suficiente para impulsionar o desenvolvimento de carreira e garantir uma representatividade adequada nos cargos de liderança.

Qual o cenário das mulheres na liderança no Brasil e no mundo?

 

O Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil mostra que as mulheres representavam 13,6% do quadro executivo (cargos de presidente, vice-presidente e diretores) e 11% dos conselhos de administração. No cenário internacional, as mulheres ocupavam, em 2015,  5,2% do cargos de CEO e 17% das cadeiras no board das 500 maiores empresas da Fortune.

Os negros, que são 52,9% da população do país, estão, como as mulheres, em situação de desigualdade, sub-representação e afunilamento hierárquico. A exclusão é, entretanto, mais acentuada. Maioria nos contingentes de aprendizes e trainees, com proporção de 57,5% e 58,2%, os negros têm sua participação resumida a 6,3% na gerência e 4,7% no quadro executivo. O número de mulheres negras no quadro executivo é de apenas 0,4%
Fonte: Instituto Ethos, 2016

 

Por que os negócios devem se importar com diversidade de gênero?

Na última década, inúmeras pesquisas confirmaram que a presença equânime de mulheres nos níveis mais altos da hierarquia não deveria ser tratada como uma ação pontual e, sim, como um tema estratégico para as empresas. Mais mulheres na liderança é bom para os negócios. Por isso, a diversidade ganha cada vez mais espaço na agenda e nas ações da alta liderança das grandes empresas brasileiras e multinacionais.

Um estudo realizado em 2017 pela McKinsey com mil companhias em doze países revelou que as empresas com maior representatividade de mulheres na alta liderança tiveram uma performance 21% melhor nos lucros.
 

Como podemos fazer melhor?

Se estamos realmente comprometidos com uma planeta 50/50 até 2030, é melhor apertarmos o passo! O sonho de construirmos um mundo mais igualitário com ambientes de trabalho saudáveis, inclusivos e lucrativos é o que nos movimenta, mas são ações estruturadas que transformam a realidade. Por isso, as empresas estão investindo em:

  • Conscientizar colaboradores e liderança sobre a relevância da diversidade para o negócio.
  • Levantar os dados internos que revelam a representatividade dos diferentes grupos nos níveis hierárquicos da organização e identificar benchmarks.
  • Criar políticas, processos e práticas que operacionalizam a diversidade como assunto estratégico da empresa. Por exemplo: revisando as práticas de seleção e promoção de talentos.

Comece a perceber quais estereótipos e vieses influenciam suas decisões no trabalho, em casa e com os amigos. Todos nós temos alguma crença pré-construída que não necessariamente condiz com a realidade. Esse não é um exercício fácil, mas pode ser divertido! Participe das iniciativas, atividades e programas de diversidade da sua empresa. Saiba como você pode coconstruir as ações e fazer parte dessa transformação que está em movimento no mundo do trabalho. Esse é um caminho sem volta: melhor que sigamos todos juntos no barco!

Se quiser conversar mais sobre Liderança Feminina, não deixe de entrar em contato com a gente! E não deixe de acessar nossa playlist especial sobre este tema!

Este artigo foi escrito por Melina Cavalcante, consultora da Movidaria.


 

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