Tomamos decisões todos os dias, a quase todo momento. Algumas decisões são simples e feitas até mesmo de forma automática. Outras decisões, no entanto, podem ser bem mais complexas e exigem esforço de nossa parte. Nem sempre estamos dispostos a investir o devido esforço, seja porque não identificamos previamente a importância da decisão ou porque não conseguimos avaliar que existem mais opções disponíveis. Bem, muitas vezes, quando fazemos isso, as consequências negativas dessa negligência ou imprudência batem à nossa porta.

 

O Dilema de Monty Hall

Nesse exercício simples, é solicitado que você avalie se existe ou não uma decisão melhor a ser tomada diante do dilema apresentado. Trocar ou não a porta escolhida? Havia três portas como opção e uma delas foi descartada pelo apresentador do programa. Agora temos duas disponíveis. Devemos manter a primeira escolha ou mudá-la?

Bem, se você é como a maioria das pessoas para as quais esse dilema é apresentado, possivelmente pensou de forma quase automática: “Se eu tinha três opções e agora tenho duas, as chances de acertar a porta são agora de 50%. Portanto, não faz diferença mudar ou não de porta.” Certo? Errado! Se o convidado do programa contava com três opções e uma delas foi eliminada (e não é a que ele tinha escolhido antes), ele tinha uma chance em três. Se ele mantiver a escolha, continua tendo uma chance em três. Mas, se ele mudar de porta, passa a contar com duas chances em três. Ou seja, aumentou suas chances!

 

Duas formas de tomar decisões

O ganhador do Nobel, Daniel Kahneman, em seu best-seller Rápido e Devagar – duas formas de pensar retrata a existência de dois mecanismos da nossa mente, os quais usamos em diferentes situações. O sistema 1, assim denominado por Kahneman, é responsável pelas respostas rápidas, que não exigem esforço. Usamos esse sistema para situações corriqueiras, para as quais já temos respostas pré-programadas e inconscientes. O sistema 2, por sua vez, chamado por Kahneman de sistema “Devagar”, é mais complexo. Ele é chamado para o raciocínio analítico e a resolução de problemas.

Ele confirma ou corrige os julgamentos do sistema 1. Pois bem, quando estamos diante do Dilema de Monty Hall, por exemplo, nosso sistema 1 tende a dar a resposta mais simples, ou seja, é indiferente à mudança de porta. Da mesma maneira, muitas vezes na nossa vida damos respostas similares utilizando nosso sistema 1, que é mais rápido e poupa energia. Fazemos isso porque temos a ilusão de que é preciso resolver muitas coisas de forma rápida e acreditamos que seremos valorizados por isso. O problema é que, nesse caso, fazemos análises muito rasas ou às vezes nem analisamos nada. Não utilizamos método algum, não refletimos sobre a situação e aí podemos acabar tomando decisões das quais vamos nos arrepender mais tarde. Dessa forma, os problemas acabam retornando para nós, muitas vezes maiores do que estavam antes. Afinal, se temos o sistema 2 disponível, por que não utilizá-lo com mais frequência?

 

As emoções influenciam nossas decisões

Além de considerar o raciocínio analítico, precisamos lembrar que somos fortemente influenciados por nossas emoções em todas as decisões que tomamos. O neurocientista português Antônio Roberto Damásio nos lembra de que “não somos seres racionais. Somos seres emocionais que pensam”. Dan Ariely, especialista americano em Economia Comportamental, aponta, em seus estudos, que tomamos nossas decisões de compra, por exemplo, a partir de nossas emoções e usamos argumentos racionais para justificar nossa decisão. É indiscutível que as emoções irão influenciar nossas decisões, quer queiramos, quer não. Por isso, o autoconhecimento e o autocontrole emocional serão fundamentais para nos ajudar a tomar as melhores decisões.

 

A coerência cardíaca

A organização americana Heartmath Institute, com um trabalho bastante respeitado de mais de trinta anos, fez descobertas que muito nos interessam no campo da tomada de decisão. Eles conseguiram mapear as variações na frequência cardíaca vinculadas às experiências emocionais pelas quais passamos. Avaliando a variação na frequência das ondas cerebrais em paralelo com a frequência cardíaca, esses pesquisadores identificaram um nível de frequência que eles denominaram “coerência cardíaca”. Essa condição ocorre quando chegamos num estado de autocontrole emocional que permite que nossas mentes racional e emocional trabalhem de forma coerente. Atuando dessa forma, nossas decisões tendem a ser muito mais equilibradas. E como chegar a essa coerência? No livro A Solução Hearmath, os pesquisadores do Instituto nos mostram como podemos alcançar essa coerência cardíaca a partir de várias técnicas. Essas técnicas, basicamente, apontam para a necessidade de nos recolhermos por alguns minutos, sempre que necessário, fazer contato com nossas emoções e buscar lembranças que nos tragam sentimentos agradáveis, aquietando o “turbilhão” de pensamentos e emoções que nos atordoa. Se entendermos que estamos sofrendo influência de fortes emoções, sem dúvida vale a pena acalmar a mente e o “coração”, antes de tomar qualquer decisão importante.

 

Ferramentas

Se, por um lado, existem tantas variáveis que podem dificultar nosso processo decisório, por outro existem diversas ferramentas que podem nos ajudar a ampliar o olhar, encontrar opções e/ou avaliar as melhores alternativas. Ferramentas não nos garantem a resposta certa, mas podem ser ótimos pontos de apoio para aumentar nossas chances de sucesso na decisão. Utilizar um mapa mental para avaliar os impactos de uma decisão que envolve vários elementos (pessoas, áreas, metas…) normalmente é uma boa escolha. Coloque a situação no centro de uma folha e vá listando, um a um, os impactos possíveis. Depois, para cada pessoa/elemento impactado, relacione quais são esses impactos, classificando-os por categoria, se necessário. Fazendo dessa forma com todos os elementos impactados, você terá maior facilidade em visualizar todos os possíveis impactos, saber qual o melhor caminho e traçar planos para administrar impactos negativos.

A matriz de decisão, por exemplo, é uma ferramenta bastante completa e útil. Ela serve principalmente para avaliar alternativas possíveis numa tomada de decisão, facilitando sua escolha. Você lista as alternativas, uma em cada coluna da tabela (clique para baixar o modelo). Depois, lista os critérios que usará para orientar sua decisão e dá um peso para cada um deles, de acordo com o grau de importância que têm para você e sua família. Normalmente atribuímos pesos de 1 a 3, sendo 3 o peso dos critérios mais importantes. Em seguida, você passa a pontuar cada alternativa em relação a cada critério, numa escala de 1 a 5, dando uma maior nota para a alternativa que melhor atende aquele critério e notas proporcionais às demais alternativas. Por fim, é só multiplicar as notas pelos pesos de cada critério e somar as notas por coluna e você terá uma avaliação de cada alternativa, de acordo com aqueles critérios. Vamos tomar como exemplo a escolha de um apartamento. Digamos que você tem 3 opções: A, B e C, e cada uma tem suas vantagens.

Então, você escolhe como critérios, por exemplo: proximidade do trabalho (peso 3), proximidade da escola (peso 3), tamanho do apartamento (peso 2), área de lazer do prédio (peso 2), segurança da região (peso 2) – critérios e pesos apenas hipotéticos. A partir desses dados, é possível pontuar cada alternativa (A, B e C) considerando cada critério. Essa ferramenta pode facilitar bastante o processo de decisão. Não significa que a resposta está definida, mas certamente o resultado desse exercício será bastante útil.

À medida que entendemos que algumas decisões podem ser complexas e importantes, podemos investir nossas habilidades de análise e de autoconhecimento emocional para sermos mais eficientes nesse processo. Vale a pena considerar a seguinte lista de Orientadores para a sua tomada de decisões:

Pense por pelo menos cinco minutos antes de tomar uma decisão importante.

Perceba quando você estiver dando respostas automáticas e certifique-se de refletir e analisar a situação antes de decisão.

Reconheça as emoções que o estão influenciando no momento. Evite tomar decisões sob situação de descontrole emocional.

Pare, faça contato com a mente (racional) e com o coração (intuitivo/emocional), de forma garantir a coerência da sua atuação.

Mapeie os impactos da sua decisão e avalie como administrar possíveis impactos negativos.

Avalie alternativas e opções, de preferência usando uma ferramenta que facilite sua análise

 

Esperamos que este artigo te ajude a entender melhor o processo por trás de cada decisão tomada. Não deixe de compartilhar com seu time e saber mais sobre nossas experiências.

 

Este artigo foi escrito por Marcos Arantes Oliveira, consultor da Movidaria e CEO da startup Matchmap.


 

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