Você já deve ter ouvido alguém falar que participou de algum treinamento, seja presencial ou a distância, e que foi “muito chato” ou “não acrescentou nada”. Ou isso pode até mesmo ter acontecido com você. Quem nunca participou de um treinamento com a tríade infalível: ppt cheio de texto + luz baixa na sala + cadeiras desconfortáveis? Pois é, isso ainda é bem comum, e não fique desanimado se isso ainda acontece onde trabalha, afinal, se você já acha que esse jeito de ensinar não é melhor formato, saiba que então já andou metade do caminho para o sucesso.

O fato é que não existe uma fórmula de sucesso infalível, ou um método arrebatador para garantir resultados de aprendizagem. A aprendizagem é algo que faz parte da vida e dos momentos que vivemos, enquanto vamos adquirindo conhecimento.

Pense um pouco em como você aprendia quando era pequeno, antes mesmo de ir para a escola. Durante a infância somos abertos a aprender, estamos sempre com uma “sede de quero mais”, sem medos, apenas curiosidade em explorar o mundo. Essa mentalidade permite um ritmo de aprendizagem incrível mas que se perde com tempo, e é por isso que temas como “aprender a aprender” estão em alta hoje em dia.

 


Fonte: http://www.lunarbaboon.com

 

Aqui na Movidaria temos um time que anda nesse mesmo ritmo. Pessoas que acreditam que podemos ajudar as pessoas a se abrirem novamente para o aprendizado, sem julgamentos, sem certo ou errado, sem pressa. Assim, enxergamos que esse aprendizado é parte dos movimentos que fazemos na vida, é parte do mundo caótico que vivemos e que precisamos aprender a lidar com ele (e aprender com ele!). Acreditamos que o ser humano pode aprender e se adaptar e que todos que chegam até nós vêm com uma sede por movimento. Ou seja, é uma pessoa, ou um grupo de pessoas, que quer(em) mudar o que faz(em) e fazer diferente.

E, ao adotarmos esse olhar de movimento, compreendemos que apenas informar não é o suficiente, mas são as experiências de aprendizagem que auxiliam as pessoas em seus próprios processos de desenvolvimento. E é esse o pulo do gato: quando entendemos a importância de viver e experimentar para aprender, entendemos que os treinamentos só informam, só trazem um conhecimento externo, mas não ajudam a internalizá-lo e, portanto, conseguimos valorizar a individualidade do processo de aprendizagem.

 

Mas como posso ajudar minha empresa a sair das práticas de treinamento para experiências de aprendizagem?

 

De fato, quando falamos do ambiente de trabalho, sabemos que devemos levar em conta diversas variáveis como tempo, resultados, investimentos, impacto no negócio etc. Mas elas não são uma desculpa para fazer algo “mais simples”, afinal, se o objetivo é trazer bons resultados para o negócio por meio do desenvolvimento do capital humano, deve-se investir nele com consciência e qualidade.

Mas como acreditamos que não é preciso estar 100% pronto para começar, vamos fornecer algumas dicas para dar o estalo no seu movimento:

Primeiro, é preciso reconhecer o cenário em que você trabalha, é preciso identificar qual é o movimento que está por trás do “pedido de treinamento”. Por exemplo, que leitura é possível fazer dessa fala:

 

“Necessito de um treinamento para formar um time de analistas que irão assumir a gerência de uma nova unidade da nossa companhia.”

 

Que um grupo de pessoas que nunca tiveram comportamento de liderança precisa atuar como líder, correto? Ou seja, podemos entender como um movimento de mudança de comportamento.

É válido ressaltar que os movimentos são individuais, e o que é possível fazer é ajudar esses indivíduos a despertarem para o aprendizado, ajudá-los a enxergarem valor nesse processo de mudança, sendo a rede de apoio a esse movimento. E é aí que entram as experiências de aprendizagem.

 

Experiência: “forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida; prática.”

 

Segundo, é preciso compreender o cotidiano do público e empatizar-se com ele, para desenhar a experiência de aprendizagem. Parece simples, mas não é. Conhecer a realidade do público-alvo da experiência não é “ouvir o que a diretoria tem a dizer desse time”, ou “bater um papo rápido com duas ou três pessoas”. É ir mais a fundo, é viver um pouco das dores, alegrias e dúvidas que esse público vive.  Se você não conhece seu público, então trabalha com “achismos”, o que não serve para criar uma experiência marcante para a vida do participante.

Terceiro: é fundamental entender que não existe um método de desenhar experiências efetivas para todos. Uma mente criativa é alimentada por experiências de vida, das mais diversas. Então, se você tiver com a mente travada para criar e pensar em novidades, pare! Mude os ares e procure fazer coisas fora da sua rotina – tudo isso pode ajudar a desbloquear ideias e ver as coisas de uma perspectiva diferente.

O quarto é extremamente importante para gerar valor e relevância para o tipo de ação que será ofertada para o público. Não dê informações que o próprio participante pode buscar sozinho. Com tanta informação com acesso facilitado devemos entender que o tempo a que o participante vai se dedicar para aprender algo novo deve ser relevante e marcante. Se você oferecer algo que ele poderia ter conseguido numa simples busca no Google, ele não verá valor no processo de aprendizagem dele.

Quinto: experiências de aprendizagem dão espaço à criatividade e à espontaneidade dos participantes. Não há certo ou errado, mas tudo pode ser debatido e todos podem chegar a um mesmo lugar juntos, de forma colaborativa. O processo de aprendizagem é diferente para cada um, por isso, é significativo que o ambiente favoreça ao máximo os diferentes tipos de inteligência. Uma outra forma de valorizar esse processo é colocando o participante para criar junto. A cocriação ajuda a aproximar e dá valor à individualidade dos participantes.

A sexta dica, e não a menos importante: experiências de aprendizagem são apenas o início, e devemos ajudar o participante a continuar aprendendo no seu dia a dia. A ter um olhar crítico e visualizar os benefícios de continuar aprendendo. Nosso papel não é fazer para ele, mas ajudá-lo a traçar metas e buscar alcançá-las, sem perdê-las de vista.

Bom, e agora? Qual é o seu olhar sobre treinamentos e experiências de aprendizagem? Como você responderia ao título deste artigo? Convidamos você a continuar refletindo e testando formas de mudar a forma de aprender das pessoas que fazem parte da sua vida. E o mais importante de tudo isso é:  criar experiências de aprendizagem ajuda as pessoas a se movimentarem e a serem capazes, independentes e livres para continuar aprendendo. Se você precisar de ajuda, conheça nossas experiências de aprendizagem aqui.

 

Este artigo foi escrito por Núbia Carolina, Designer de experiências da Movidaria.

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