No próximo dia 7 em Lyon, na França, as seleções dos EUA e da Holanda entram em campo para decidir qual delas fica com o título de campeã da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019. Mais do que a importância de uma final de campeonato, esse jogo encerra um dos torneios mais importantes dos últimos tempos. Não só por ser uma Copa do Mundo, mas sim por ter atraído tantos “holofotes” para questões como: diversidade, igualdade de gênero e gap salarial entre homens e mulheres, por exemplo.

Muito provavelmente você já estabeleceu conexões entre essas questões e os desafios do mundo organizacional. Atentos a esses movimentos, convidamos nossa gerente de Desenvolvimento e Consultora, Necy Teixeira, para escrever sobre os aprendizados que podemos extrair desse torneio tão marcante e como podemos gerar novos movimentos no nosso cenário. Confira abaixo:

Entre Formigas e Martas

 

Recentemente, o mundial de futebol feminino trouxe-nos uma série de experiências positivas que nos proporcionaram uma gama de conquistas – e ao dizer isso me refiro ao posicionamento das mulheres nesse esporte, que, por sua vez, é muito mais difundido e praticado em nosso país pelos homens.

Muitas foram as lições que pudemos tirar ao longo da trajetória de nossa seleção feminina de futebol, mas é importante chamar atenção a quem nos proporcionou muitas conquistas, nossa querida Marta, sobretudo, como suas falas no campeonato marcaram momentos emblemáticos da luta dessas mulheres em defesa de ter a liberdade de exercer a sua profissão e ser tão bem reconhecida e remunerada quanto os homens que atuam na mesma modalidade esportiva – afinal atuam ou deveriam atuar sobre a mesma égide que os homens.

Numa de suas entrevistas, Marta reforça a questão de que “a gente trabalha não só por título”, ou seja, a equipe trabalha não só pelo título em si, mas para o êxito de todas, incluindo em seu discurso as gerações futuras de mulheres. Além disso, reforça que o crescimento da modalidade feminina nesse esporte se deu pela coragem de suas companheiras, enaltecendo a trajetória de sua companheira de equipe: a Formiga, que há 25 anos ousou entrar em um esporte até então liderado por homens.

Sendo assim, eis o nosso estalo: será que em algum momento sendo uma mulher, negra, nordestina e pobre – alguém disse para a Formiga qual era o papel dela dentro desse esporte ou em qualquer outro lugar que ela quisesse ocupar na vida?

Como a Formiga mesmo diz numa de suas entrevistas, várias foram as formas de aniquilá-la. Afinal de contas, segundo Bell Hooks, em seu livro “Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra”, diz:

“Vivemos em um mundo em crise governado por políticas de dominação, um mundo onde a crença em uma noção de superior e inferior e sua concomitante ideologia – de que o superior deveria governar o inferior – afetam a vida de todas as pessoas em todos os lugares, sejam pobres ou privilegiadas, letradas ou iletradas.”

Isso nos mostra que em todas as esferas sociais, incluindo o mundo corporativo, essa “crença limitante” a qual Bell Hooks se refere, e que pode se manifestar numa cultura bem como em um indivíduo, pode causar muitos danos.

Quer ver só? No documentário Olhos Azuis, Jane Elliot, que é professora, conduz uma vivência a fim de mediar um movimento de conscientização em seus alunos (crianças) a respeito dos perigos da crença em uma noção de superior e inferior. Nessa experiência, Jane separa seus alunos em dois grupos: os de olhos azuis e os de olhos castanhos, na sequência, ela dá braçadeiras às crianças de olhos azuis, enfatizando que “as crianças com olhos castanhos são as melhores pessoas da sala e que elas eram mais limpas e espertas.” Ela influenciou seus alunos até que eles de fato acreditassem que aquilo era verdade e isso desencadeou no mesmo dia um sistema opressor dos castanhos contra os azuis, simplesmente pela crença de que os olhos castanhos eram mais especiais.

Agora, o convite ao movimento que desejamos fazer é para sermos empáticos com a história de vida da Miraildes Maciel Mota e de Marta Vieria da Silva e as diversas lutas que essas mulheres desbravaram e ainda desbravam em suas grandiosas existências. Elas representam um mindset de crescimento, pois atuam em um mundo que constantemente tenta aniquilar seres humanos simplesmente por uma crença limitante de superioridade e inferioridade e sua concomitante ideologia – de que o superior deveria governar o inferior. E, de repente, vem Formiga e Marta com toda coragem, diversidade e luta por equidade em sua modalidade esportiva e nos brindam não só com a arte futebolística, mas com a arte em serem humanas acima de tudo.

Em tempo, esse texto nos ajuda a compreender que essa crença de que o superior deve governar o inferior pautado em estereótipos e fomentando um sistema opressor, também, assombra o mundo corporativo, por isso o chamado aqui é para seguirmos em nosso mundo corporativo sim, mas cada vez mais atentos e em busca de Formigas e Martas, para compor times que trabalhem arduamente não só pelo título em si, mas para o êxito de todas e todos!

Este texto te ajudou? Você possui algum desafio que converse com esse texto? Conheça nossas experiências e entre em contato conosco para tomarmos um café!

 

Este artigo foi escrito por Necy Teixeira,  Gerente de Desenvolvimento da Movidaria.

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