Tem líder que enxerga um problema complexo e reage como se fosse simples: aperta prazos, troca pessoas, cria um “plano de ação infalível” de 20 itens e cobra atualização diária. Parece gestão. Na prática, é ansiedade organizada de maneira desastrosa.
Os problemas complexos têm três características: (1) muitas causas se misturam, (2) o efeito vem com atraso e (3) uma solução boa num ponto piora outro. Quando você “resolve” rápido demais, você só muda o lugar da bagunça.
Os erros mais comuns que vejo na carreira de liderança e gestão:
· Confundir sintoma com causa (e tratar febre com gelo);
· Buscar culpado antes de entender o sistema (inclusive de gestão);
· Padronizar a resposta (“aqui sempre foi assim; já fiz e funciona”) para situações diferentes;
· Medir só o que é fácil, e ignorar o que é decisivo: leia-se coragem.
Recomendo um caminho menos heroico e mais maduro:
1. Defina o problema em uma frase: o que está acontecendo, onde e desde quando;
2. Mapeie o sistema: quem influencia quem, quais incentivos existem, quais restrições são reais;
3. Procure padrões e atrasos: o que se repete? o que muda depois de semanas, não de horas?;
4. Teste pequeno: experimento curto, risco controlado, aprendizado rápido;
5. Comunique o “porquê” e o “como vamos aprender”, não só o “façam”;
6. Só depois avalie e tome as decisões sobre as pessoas.
Liderar em sistemas dinâmicos é trocar controle por compreensão. Acredite no que eu estou dizendo: isso protege sua reputação, seu time e seus resultados. Antes do próximo “vamos resolver agora”, pare alguns minutos e faça uma pergunta melhor: “o que eu ainda não entendi aqui?” ou “como tudo se move por aqui, inclusive eu?”.





