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Os primeiros 100 dias não revelam apenas competência. Revelam vaidade, ansiedade e inabilidade política.
Os primeiros 100 dias não revelam apenas competência. Revelam vaidade, ansiedade e inabilidade política.

É curioso observar como executivos brilhantes conseguem tropeçar logo na largada. São contratados pelo currículo, pela experiência, pela reputação construída ao longo de anos e por suas belas narrativas durante as entrevistas. Mas, nos primeiros 100 dias, não é raro ver gente sênior agindo como amadora. E quase sempre pelo mesmo motivo: entram mais preocupados em parecer fortes do que em ser relevantes.

O primeiro erro é a pressa em deixar marca. O executivo chega querendo mostrar que veio para mudar, reorganizar, corrigir e acelerar. Confunde presença com barulho. Critica o legado, anuncia prioridades, redesenha estruturas e tenta provar, em poucas semanas, que a empresa finalmente encontrou alguém à altura do desafio.

O segundo erro é subestimar a cultura. Há quem acredite que bastam inteligência, método e histórico de entrega para colocar a casa em ordem. Não bastam. Toda empresa tem pactos invisíveis, sensibilidades, lealdades e feridas abertas. Ignorar isso não é objetividade. É arrogância, pois ninguém pode “consertar” uma determinada cultura. Sabemos que elas sem movem por posicionamentos da liderança, práticas de gestão e provas de credibilidade (leia-se coerência entre o que se diz e se faz).

O terceiro erro é achar que o cargo entrega autoridade automaticamente. Não entrega. Cargo dá poder formal. Autoridade é outra coisa. Autoridade se constrói na escuta, na leitura de contexto, na qualidade das decisões e na capacidade de formar confiança. Quem chega distribuindo certezas antes de compreender o terreno pode até impor medo. Respeito, não.
Executivos não costumam afundar no começo por falta de repertório técnico. Afundam porque falam demais, escutam de menos, se movem antes de entender e tratam a política organizacional como se fosse um detalhe menor. Não é. Em muitos casos, é o jogo principal.

Os melhores primeiros 100 dias não são os mais espetaculares. São os mais lúcidos, adequados e cuidadosos. Porque, no início, o executivo não precisa provar que é brilhante. Precisa provar que não será mais um ego caro ocupando espaço demais e entendendo de menos.

Foto de Alcir Miguel Jr.
Alcir Miguel Jr.
Consultor, Mentor e Conselheiro. Cultura, liderança e equipes de alto desempenho. Founder Movidaria
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