Todo plano deveria passar por uma pequena sessão de “tomatadas” antes de virar execução. Não falo de pessimismo. Falo de responsabilidade e inteligência coletiva.
Existe uma armadilha comum em líderes, equipes e empresas: quando gostamos muito de uma ideia, começamos a protegê-la. Procuramos argumentos a favor, ignoramos sinais fracos, nos cercamos de concordância e chamamos isso de alinhamento. Preferimos os bajuladores aos críticos, né?
Porém, alinhamento sem crítica pode ser só devaneio bem embalado.
O perigo de executar um plano sem escutar críticas é simples: a realidade fará esse papel depois. Só que mais caro, com mais exposição e menos tempo para corrigir.
Por isso, antes de tirar um plano do papel, vale criar um espaço deliberado para o contraditório. Não aquela crítica solta, irônica ou destrutiva. Mas uma crítica estruturada, feita por quem recebeu autorização (sua, no caso) para procurar falhas.
Uma boa forma de fazer isso é o “premortem”: reúna as pessoas certas e diga: “Imaginem que esse projeto fracassou daqui a seis meses. O que aconteceu?”
Depois, peça que cada pessoa escreva, individualmente, os motivos do fracasso. Sem debate no começo. Sem defesa da ideia. Sem punição para quem levantar riscos incômodos.
Em seguida, organizem os pontos: quais riscos são mais prováveis? Quais teriam maior impacto? Quais sinais indicariam que estamos no caminho errado? Que ajustes precisam ser feitos antes da execução?
O objetivo não é matar o plano. É fortalecê-lo.
Planos bons não são aqueles que sobrevivem porque ninguém teve coragem de questionar. São aqueles que melhoram porque alguém teve liberdade para contrariar.
Antes de perguntar “como vamos executar?”, talvez a pergunta mais adulta seja… quem pode nos ajudar a encontrar o que ainda não estamos enxergando?





