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Promovidas ao cargo, mas reprovadas no resto.
Promovidas ao cargo, mas reprovadas no resto.

Uma coisa continua me surpreendendo no mundo corporativo: pessoas são promovidas, ganham cargo, aumento, equipe, crachá novo, um pouco mais de status, mas seguem pensando e agindo como se nada tivesse mudado.
A promoção acontece no organograma, mas não acontece na cabeça.

E esse é o problema. Gente que não assume novos papéis, responsabilidades e vivem um verdadeiro limbo no pipeline de liderança.

Liderança e gestão não são apenas uma continuação da carreira técnica. São uma mudança de papel. Antes, você era reconhecido principalmente pelo que entregava com as próprias mãos. Agora, passa a ser medido também pelo que ajuda os outros a entregarem.
Antes, sua agenda era organizada em torno das suas tarefas. Agora, precisa ser organizada em torno das prioridades do time, dos conflitos que precisam ser resolvidos, das decisões que precisam ser tomadas e das pessoas que precisam ser desenvolvidas.
Antes, bastava ser bom. Agora, é preciso fazer outros ficarem melhores e engajados (para dizer o mínimo).
Esse novo papel exige novas responsabilidades. Você não responde mais apenas pelo seu desempenho individual. Responde pelo engajamento que ajuda a construir, pela clareza que oferece, pelos combinados que sustenta, pelas conversas corajosas que enfrenta, pelas escolhas que faz quando ninguém quer decidir.
Também exige novos comportamentos. Menos necessidade de aparecer (sossegue o ego!). Mais capacidade de orientar. Menos impulso de resolver tudo sozinho. Mais disciplina para delegar. Menos reclamação sobre o time. Mais responsabilidade por formar o time.
Exige novas habilidades. Escutar melhor. Dar feedback com clareza. Comunicar prioridades. Conduzir reuniões úteis (para que tanta reunião que ninguém sabe porque foi convidado, o que está fazendo lá e o que tem que fazer quando sair de lá?). Ler o contexto e tomar decisões imperfeitas no tempo certo.

Quem lidera não pode viver apagando incêndio o dia inteiro e chamar isso de gestão. Liderar e gerir é proteger o que importa, separar urgência de relevância e criar direção quando todo mundo está ocupado demais para pensar. O jogo é outro.
E quem não entende isso rapidamente corre o risco de virar uma caricatura perigosa: alguém com autoridade formal, mas ainda preso à mentalidade do passo anterior.

A pergunta é se você cresceu o suficiente para ocupar o lugar. Se a resposta for negativa, lamento. Agora você terá ainda mais chances de cometer desastres por onde passar.

Foto de Alcir Miguel Jr.
Alcir Miguel Jr.
Consultor, Mentor e Conselheiro. Cultura, liderança e equipes de alto desempenho. Founder Movidaria
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