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Você NÃO é “você” no trabalho. E isso, além de real, é saudável.
Você NÃO é “você” no trabalho. E isso, além de real, é saudável.

Mais um carnaval se foi e hoje escutei novamente que “estou pensando em pedir demissão, pois não posso ser eu mesmo na empresa onde trabalho”.

Esse é um dos mitos do mundo corporativo: “aqui você pode ser você mesmo, sem filtros”. Soa bonito, mas é uma armadilha para os inocentes.

Empresa não é um espaço de expressão plena. É um espaço de entrega, com líderes competentes, regras, prioridades e poder. E poder, por definição, seleciona comportamentos. Cultura organizacional é isso: um conjunto de padrões que molda o que é aceito, valorizado e recompensado. E, normalmente, esses padrões não nascem em discursos democráticos inspiradores. Nascem de um grupo que decide e domina um determinado espaço.

Democracia existe para proteger as diferenças e manter o espaço aberto ao conflito legítimo e à pluralidade. Empresa existe para reduzir a variabilidade, alinhar energia e acelerar execução. É por isso que organizações criam ritos, símbolos, linguagem, modelos de liderança, “jeitos de fazer”, critérios de performance.

“Ser você mesmo” no trabalho, sem filtro algum, costuma significar:
·  falar o que pensa, do jeito que pensa, na hora que pensa
·  ignorar contexto, hierarquia, timing e impacto
·  confundir autenticidade com espontaneidade

Autenticidade adulta é outra coisa: é coerência com valores, com responsabilidade e com intencionalidade em movimento. É escolher o filtro certo para o objetivo certo.

Quer uma dica simples?
Se o seu “eu sem filtros” não cabe na cultura, ajuste os seus comportamentos, amadureça, descubra outras perspectivas ao longo do tempo ou procure outro jogo para jogar.

Foto de Alcir Miguel Jr.
Alcir Miguel Jr.
Consultor, Mentor e Conselheiro. Cultura, liderança e equipes de alto desempenho. Founder Movidaria
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