Mais um carnaval se foi e hoje escutei novamente que “estou pensando em pedir demissão, pois não posso ser eu mesmo na empresa onde trabalho”.
Esse é um dos mitos do mundo corporativo: “aqui você pode ser você mesmo, sem filtros”. Soa bonito, mas é uma armadilha para os inocentes.
Empresa não é um espaço de expressão plena. É um espaço de entrega, com líderes competentes, regras, prioridades e poder. E poder, por definição, seleciona comportamentos. Cultura organizacional é isso: um conjunto de padrões que molda o que é aceito, valorizado e recompensado. E, normalmente, esses padrões não nascem em discursos democráticos inspiradores. Nascem de um grupo que decide e domina um determinado espaço.
Democracia existe para proteger as diferenças e manter o espaço aberto ao conflito legítimo e à pluralidade. Empresa existe para reduzir a variabilidade, alinhar energia e acelerar execução. É por isso que organizações criam ritos, símbolos, linguagem, modelos de liderança, “jeitos de fazer”, critérios de performance.
“Ser você mesmo” no trabalho, sem filtro algum, costuma significar:
· falar o que pensa, do jeito que pensa, na hora que pensa
· ignorar contexto, hierarquia, timing e impacto
· confundir autenticidade com espontaneidade
Autenticidade adulta é outra coisa: é coerência com valores, com responsabilidade e com intencionalidade em movimento. É escolher o filtro certo para o objetivo certo.
Quer uma dica simples?
Se o seu “eu sem filtros” não cabe na cultura, ajuste os seus comportamentos, amadureça, descubra outras perspectivas ao longo do tempo ou procure outro jogo para jogar.





